LifeGuard
Muita gente está surpresa com a participação da LifeGuard na Brasil Wild Extreme. Se de um lado a equipe, formada por Thiago Bonini, Thais Cláudio, Darcio Alves e Marco Berguvite, começa a incomodar os dinossauros da corrida de aventura, por outro é gratificante ver o pelotão da frente finalmente se renovando.
Me recordo, há alguns anos, de uma participação numa Chauás Night, em Itanhaém (SP), quando, ao sair de uma perna de remo, ouvia gritos atrás de mim: “Ei, é pra ir junto, p…!!!”. Lá na frente, a resposta: “Tudo bem capitão, tudo bem. Desculpa!”. A resposta era do Bonini ao seu capitão do corpo de bombeiros de Itanhaém, que participava pela primeira vez de uma corrida de aventura. Mais pra frente, na mesma prova, me lembro ainda de encontrar novamente com a então ‘Equipe dos Bombeiros’, de capacete emprestado, fazendo a trilha pelo lado contrário.
A partir daí, a LifeGuard começou a se estruturar. Nas participações nas provas da Chauás, considerada as mais duras do país, teve importantes resultados.
No meio do caminho, o Thiago encontrou a Thaís, que além de namorada, tornou-se sua companheira de equipe. Infelizmente, não conheço o Darcio nem o Marco, mas quanto ao casal posso dizer que alegria e diversão andam juntas com o espírito de competitividade.
Certas situações, que para uns seriam motivo de um simples ‘deixar pra lá’ para eles tem significado de ‘correr atrás’. Incontáveis vezes recebi e-mails, ligações ou mesmo torpedos do Thiago atrás de um integrante que faltava, de um transporte para uma das bikes que eles não tinham espaço para carregar ou mesmo me pedindo dicas sobre como conseguir patrocínio. Este último, confesso, não é minha especialidade, mas no que podia ajudar, eu tentava.
Entre nossos contatos também sempre ouvia – ou lia – convites para a Guaranis treinar junto com a equipe. Para o Bonini o ‘treinar’ é diferente do que muitas equipes de São Paulo estão acostumadas. Enquanto aqui, recebemos planilhas com o passo a passo do que fazer dia-a-dia, mais acompanhamento nutricional, etc, o Thiago sai para um ‘passeio’ de uma perna de bike de 70 km de subida e depois se diverte com a decida. Em Sampa, a Thaís se divide entre os plantões médicos e o que sobra de tempo para treinar.
Mas o que tudo isso tem a ver com o Brasil Wild Extreme?
Tem que, independente do resultado da hoje Fast/LifeGuard/Bikestop, independente de chegarem em quinto, em primeiro ou mesmo se desistirem nos próximos cinco minutos, o mérito deles é inegável.
Chegar numa prova de 650 km, no meio do calor do sertão nordestino, onde gigantes já desistiram e ainda com patrocínio, é mais do que merecimento. É resultado.
Torço pela equipe não só como amiga, mas também como expectadora do esporte. É apaixonante ver o esforço se transformar em resultado, num esporte pouco (re)conhecido nesse país do futebol.
Fica aqui, uma singela homenagem.
Lilian Araujo
Equipe Guaranis