Relato da Equipe Guaranis no Brasil Wild Extreme
Para quem não sabe a aventura de participar de uma corrida de aventura de 5 dias começa bem antes do sinal de largada.
Inicia-se com a formação da equipe, treinamentos, planejamento, treinamento, organização da viagem, treinos longos aos finais de semana longe da família, reuniões e um pouco mais de treinamento.
O destino da nossa próxima aventura seria a cidade de Paulo Afonso, localizada às margens do Rio São Francisco, o Velho Chico, no Estado da Bahia.
Partimos da cidade de São Paulo no dia 03 de abril, do aeroporto internacional de Guarulhos, aonde aconteceu nosso primeiro embate para chegar à Paulo Afonso.
Nossa passagem aérea, era da empresa Gol, que, por regulamento, cobra de seus clientes R$ 100,00 por bicicleta e como estávamos viajando junto com a equipe Selva éramos um total de 7 pessoas e 7 bicicletas ( o Fidel viajaria na sexta feira).
Tentamos negociar com a Gol a liberação do pagamento da taxa referente às bicicletas e o que conseguimos inicialmente foi a liberação de 2 unidades.
O Caco não satisfeito emplacou uma negociação de guerra. Para resumir a história, realizamos nosso check in faltando 20 minutos para o vôo e pagamos pelas 7 bicicletas.
Após 3 horas e meia de viagem chegamos em Aracajú, no estado de Sergipe. Aí, encontramos nosso segundo embate: conseguir levar todo nosso equipamento até a estação rodoviária localizada à 15 km do aeroporto. Depois de muita conversa, encontramos 2 taxistas (Doblo e Zafira) que milagrosamente conseguiram transportar tudo e todos em uma única viagem. Saldo R$ 80,00.
Ufa !!! Chegamos na rodoviária por volta das 16:00 horas e não tínhamos almoçado. Passagens compradas para as 18:30.
Resolvemos almoçar em grupo, pois tínhamos que ficar de plantão sobre os nossos equipamentos. Durante o caminho para a rodoviária avistamos um restaurante beira de estrada, chamado churrascaria do Almeida e brincamos que poderíamos almoçar por ali mesmo.
A equipe Selva foi primeiro, e quando retornou disse que havia um outro restaurante próximo, mas que a coisa estava feia para comer….URGH!!!
Seguimos em direção da tal Churrascaria do Almeida e resolvemos arriscar e nos demos muuuiiiittooo bem. Por incrível que pareça, a comida era ótima, bem servida e barata.
Por volta das 18:00 seguimos em direção ao portão de embarque do nosso ônibus para que posicionássemos nossos pequenos equipamentos para embaque. Cada pessoa que chegava ficava nos olhando e olhando nossa singela bagagem. O ônibus estacionou e o motorista veio conversar conosco sobre a possibilidade de excesso de carga. Conversar vai, conversa vem fechamos em R$ 40,00 para embarcar tudo. Bom negócio.
No meio da viagem, uma parada para lanchar. Digo para vocês que nunca vi um local como aquele em uma viagem de ônibus. Parecia um bar de periferia da periferia. Acho que deu para entender.
Chegamos em Paulo Afonso por volta da 01:00 da manhã do dia 04 de abril e outro problema para resolver como levar tudo para o hotel onde nos hospedaríamos e que não sabíamos aonde era.
Dois competidores da equipe Advogados Aventureiros, que estavam conosco no ônibus, conseguiram uma pequena pick up para transportar os equipamentos. Enquanto esperávamos por uma das viagens que seriam realizadas, avistamos uma pickup L200, preta e brincamos que poderia ser o Jeff para nos ajudar.
Por coincidência a pickup começou a vir em nossa direção e quando estaciona quem estava pilotando era o Caco, que havia encontrado com o Magnussen, que estava com o carro do Jeff.
Praticamente um carro “anjo da guarda”.
Enfim, chegamos ao hotel e nos instalamos para descansar.
Para vocês não se perderem hoje é sexta feira.
Acordamos por volta das 10:00 e prontos para tomar um belo café da manhã, ops, descobrimos que o café no hotel era servido até as 9:30, mas nada que uma conversinha não resolvesse.
Aproveitamos para realizar as compras no mercado Gbarbosa, que surpreendentemente tinha tudo que precisávamos, inclusive COCA COLA.
Em seguida realizamos toda a parte burocrática da prova tranquilamente e recebemos os mapas. Um total de 22 em folha A3.
No domingo, dia 06, tiramos o dia para organizarmos nossas mochilas e as caixas de reabastecimento, que encontraríamos no decorrer da competição.
No dia 07, acordamos às 6 horas, tomamos o belo café da manhã e partimos para o local da largada, que seria em uma das barragens da CHESF – Companhia Hidrelétrica do São Francisco. O formato da largada seria da seguinte forma: 2 dos competidores deveriam nadar até a ponte metálica, seguindo a margem esquerda do rio São Francisco e, após o sinal da organização, os ducks largariam com os outros 2 para resgatar seus companheiros e seguir por 64km até o PC1.
Durante a prova havia 3 PCs virtuais optativos que ofereciam bônus de 4, 3 e 2 horas no tempo final da prova. Como nosso principal objetivo era não pegar nenhum corte decidimos que a melhor coisa a fazer era não buscar nenhum desses PCs, pois dessa forma pouparíamos nosso físico e o nosso psicológico para o final da prova.
Tivemos uma excelente campanha nessa primeira parte da prova e terminamos a etapa de remo em 6º lugar.
Saímos para um trekking de 68 km. Nesse trecho, levamos um balde de água fria e não fomos muito bem. A Fernanda teve a infelicidade de torcer o tornozelo por 3 vezes, dificultando o deslocamento.
Pela manhã, encontramos o PC2 e seguimos ainda de trekking caatinga à dentro. Nessa parte da prova o Fidel sentiu muito o calor da prova que em média ficava por volta dos 40 graus e diminuiu muito o ritmo da equipe.
Foi nesse trekking também que começaram a aparecer as primeiras bolhas no meu pé, fazendo-me recordar os maus momentos do Ecomotion pro de 2007.
Encontramos nossas caixas no PC4 por volta das 21:30 horas do dia 08 (terça feira) numa cidade cravada em um morro com ruas muito íngremes.
Pegamos nossas “magrelas” e saímos a procurar um local para nos alimentar, porém não encontramos nenhum estabelecimento que nos servisse comida em um horário “tão tarde”. Sentamos à mesa de um boteco e comemos hambúrguer e picanha fatiada.
Após o jantar, seguimos de bike por mais ou menos 1 hora e meia e paramos para dormir. Decidimos descansar por 1 hora, porém poucos conseguiram pregar os olhos nesse momento…vai entender.
Pedalamos por 30km pela BR XXX que não possui nenhuma curva, isto é, não que eu me recorde. Por volta das 5:30 da manhã pedi para descansar por 40 minutos e essa foi a primeira vez que consegui dormir durante a prova.
Em seguida, pegamos uma outra estrada, essa asfaltada, quer dizer com grande parte dela asfaltada e após 15km chegamos ao PC5, no qual faríamos a transição para o trekking da Serra Grande com 48 km de percurso.
Foi durante essa transição que o Fidel quase desistiu de continuar na competição por motivos pessoais, porém voltou atrás e seguimos adiante.
Saímos para o trekking 1 hora atrás da equipe Landscape e tivemos a companhia da equipe do Paraguai e Ratos da Triha.
Muito sol (que novidade), muita areia, pouca água e pouca sombra marcaram esse trekking. No topo da serra resolvemos parar para almoçar e, conseqüentemente, diminuir o peso de nossas mochilas, pois estávamos carregando batata e mandioquinha embalados à vácuo e mais 2 pacotes de almôndegas prontas. Praticamente um banquete.
Foi nesse momento que nossos amigos da equipe SPY nos encontraram e aproveitaram para almoçar conosco, já que estavam sem comida. Logo em seguida apareceram os paraguaios e rasparam o que sobrou.
Ao iniciar a descida da serra encontramos com o Sr. Neli e aproveitamos para nos informar melhor sobre qual seria a melhor rota a seguir. Foi muito engraçado assistir à tentativa de comunicação entre o Sr. Neli e o Marcão…..hehehehe coisa de maluco.
Seguimos a orientação do nosso amigo por um caminho que não se encontrava no mapa e nos demos bem, pois o caminho era fácil e havia muitas casas para nos informar.
Depois de um loonnnggggo trekking, chegamos à cidade de Caraibera, local onde faríamos a transição para mountain bike.
Após uma discussão, resolvemos dormir e acabamos dormindo por 4 horas hehehehe. Ao amanhecer pegamos nossas bicicletas e paramos na primeira padaria que encontramos para tomar um delicioso café da manhã. Feito isso, seguimos nossa rota. Imaginávamos que cumpriríamos os 40km de mountain bike em 4 horas na pior das hipóteses.
Ledo engano, pois havia uma hipótese muuuiiittto pior do que imaginávamos…que era composta por SOL, AREIA, SOL, AREIA e mais um pouco de sol e areia.
Levamos 9 horas para cumprir o trajeto.
Durante essa etapa houve um momento em que estávamos ficando sem água e o sol não dava o braço a torcer. Ao sair do areião, encontramos um caminhão pipa e infelizmente o motorista disse que a água não era potável. Mas nos deu uma boa notícia, estávamos no caminho certo para Petrolândia.
De repente começo ouvir um barulho de trator e fiquei procurando-o, pensando se há alguém trabalhando, provavelmente há água. Avistei alguns trabalhadores bem à frente, cheguei próximo deles e perguntei se tinham água. Graças à Deus, a resposta foi positiva.
Subi no platô em que se encontravam e tive uma incrível surpresa: havia um açude gigantesco, que para mim parecia uma miragem. Perguntei da onde vinha aquela água e um dos trabalhadores explicou.
A água é bombeada a partir do Rio São Francisco até o açude. Posteriormente a água é utilizada para irrigar o sertão para o plantio de frutas para exportação. Incrível!
Ao chegar em Petrolândia, encontramos nossa caixa pela segunda vez.
Aproveitamos para comer e descansar um pouco, porém sem dormir.
Resolvemos que iríamos comprar umas “quentinhas” para nos alimentar melhor e o Fidel ficou responsável por isso. Enquanto isso, eu, o Marcão e a Fernanda preparávamos os ducks para a última perna da prova, 50km até Paulo Afonso, passando por cima de uma cidade submersa em razão da construção da barragem.
Ducks prontos, mas cadê o Fidel??? Depois de não sei quanto tempo ele aparece com a comida.
Entramos na água por volta das 20:30 e seguimos em direção do PC10 virtual, que estava localizado no topo de uma igreja submersa. IMPRESSIONANTE!! Pena que passamos à noite.
Encontramos o tal PC10 literalmente sem querer, pois havíamos parado para navegar e de repente vimos algo em meio à escuridão. Era o PC, ainda bem.
Seguimos em frente e deparamos com um vento contra ANIMAL que não nos deixava progredir. Acho que estávamos remando a 2km/h.
Por volta das 2:30 da manhã chegamos à barragem, na qual deveríamos realizar uma portagem. Jogamos os ducks para cima, porém não encontrávamos o caminho para descer os ducks para o outro lado, pois havia uma descida muito íngreme formada por pedras enormes. Ficamos com medo de estragar os ducks, afinal faltavam muitos quilômetros até a chegada.
Procuramos por todos os lados e nada. Perguntamos aos seguranças da barragem e nada. Quando era 4:30 da manhã resolvemos dormir e esperar o dia amanhecer. Arrumamos os ducks para nos proteger do vento, nos acomodamos e ZZZZZZZZZZZ.
Não sei depois de quanto tempo a Fernanda assustou a todos com um grito CUIDADO !!!!!!
Levantamos assustados e preocupados, tentando saber o que estava acontecendo e ela nos respondeu: “Desculpa galera, acho que estava sonhando…”. Ta louco, viu. Voltamos a dormir.
De repente começamos ouvir algumas equipes passando por nós e junto com eles um bode com um guizo. O Marcão acordou irritado com o bode e ao levantar ficou mais put. ainda, pois o bode estava mostrando para as equipes a trilha que deveria ser seguida. E o pior de tudo: a entrada estava a 30 metros de onde dormimos.
Quando estávamos arrumando tudo para seguir em frente o Marcão avistou uma equipe colocando os ducks na água e disse que poderia ser a APOENA, pois estava reconhecendo a careca do Robinson.
Saímos como loucos praticamente jogando os ducks morro abaixo (antes tivesse jogado na noite anterior) e remamos como loucos atrás “deles”.
Mas não era a APOENA, mas esse stress nos ajudou a conquistar algumas colocações.
Depois disso, o grande desafio era manter o Fidel acordado, que se jogava no rio constantemente, molhava o boné, coisas e tal. Tentei até fazer uma aposta, porém não tive nenhuma resposta.
Quando estávamos chegando ao canal para realizar a portagem até a chegada nossas remadas não rendiam e parecia que estávamos puxando um trator. Depois de muito esforço, aportamos num ponto que imaginávamos ser o melhor lugar. Estávamos enganados.
Porém, já tínhamos esvaziado os ducks e resolvemos levá-los dali mesmo.
Enrolamos um duck junto com um remo e ao levantá-lo, o remo quebrou.
Sem solução, o Marcão colocou um duck nas costas e eu o outro. Saímos andando pela cidade. De repente, avistamos um supermercado e pedimos um carrinho emprestado, mas o gerente não autorizou.
Não agüentando mais, joguei o duck no chão e por coincidência passava um rapaz com uma bicicleta barra-forte. Pedi emprestado e ele disse que teria que ir junto. Sem problemas! Coloquei o duck em cima da bicicleta e comecei a empurrá-la quando o rapaz disse: “pára com isso, que eu vou pedalando!!!”
Subiu e saiu em disparada. Falei para Fidel largar tudo e sair correndo atrás do cara…Nesse momento vejo o Marcão correndo com o duck em cima de um carrinho de mão…Muito louco!
Cruzamos a linha de chegada por volta das 11:30 da sexta feira. Depois de muito esforço e aventura.
Aproveito para agradecer aos meus companheiros de equipe Marcão, Fernanda e Fidel, minha namorada Claudia pela paciência e apoio e meus pais pelo apoio eterno.
Até a próxima aventura!!!!
Sidney Togumi