Abelhas e muita adrenalina na Expedição Chauás

Postado por em 07 jul 2008 | Chauás

Saímos de São Paulo psicologicamente preparados na sexta-feira à noite para o retorno da Chauás, etapa Ilha Comprida. Camila, Togumi, Marco e eu sabíamos que, por problemas individuais, não tínhamos treinado muito nos últimos tempos e que, apesar da organização ter anunciado que a prova seria plana, se tratava de uma Chauás. Pode ser plana, de dia ou de noite, Chauás será sempre uma prova duríssima, que testa tanto a parte física quanto, e principalmente, a psicológica.

A largada, para nossa alegria, aconteceu de tarde, dando tempo para arrumarmos nossos equipamentos e caixa de abastecimento. Depois da famosa buzina do tio Lucas, seguimos correndo pela literalmente acolhedora Vila de Pedrinhas. Os locais não só tinham recebido um monte de gente estranha em suas casas, como também participaram da prova, trabalhando para a organização como PCs, preparando as nossas comidas para antes e depois da prova, fazendo apresentações de danças e ainda dando gritos de incentivos até tarde da noite. Crianças e adultos aplaudiam as equipes, independendo da colocação. Foi realmente emocionante.

Voltando à prova, seguimos num ritmo médio pela areia fofa até o PC1, que marcava a entrada para um vara-mato, que beirava um rio e um mangue cheio de vegetação emaranhada e muito difícil de nos locomovermos. Depois de uma tentativa frustrada de vara-mangue, decidimos voltar para a mata fechada, que tecnicamente era mais fácil que a opção anterior. Esse ponto marcou nosso primeiro encontro com as tão faladas bromélias do litoral sul, que cortam e furam por cima da roupa. O Toga até cogitou largar de calça jeans, mas como sabia que ficaria cheio de lama de mangue e, que por conta disso, ganharia alguns quilos, acabou desistindo.

Logo após um oi doído para as bromélias, sem querer um de nós pisou numa colméia de abelhas. No desespero e aos berros, saímos correndo pela mata, na tentativa de fugir delas, que insistiram em nos seguir. Um cara da solo, que estava por perto, acabou sendo vítima também e saiu correndo com a gente. A Camis, entrou em desespero e mais gritava do que corria. Alguns tapas e muitas picadas depois, conseguimos chegar ao PC2, que estava na beira do mangue. Cruzamos com a Uirapuru, nossa equipe amiga da Selva Aventura, e seguimos juntos no trecho já permitido pela estrada. Eles saíram correndo na frente, enquanto paramos para que o Toga tomasse um anti-alérgico por conta do rosto inchado de picadas.

Acho que na última colocação – eram 24 quartetos –, tivemos uma passagem rápida pelo PC3, onde pegamos as bikes, com plaquinhas de numeração, inovadas com o nome da equipe e dos atletas escrito nelas. Lindo!!! Saímos num pedal lento e duro, por causa da areia extremamente fofa da única avenida principal da pequena Pedrinhas. Alguns quilômetros mais e entramos num single bike. Apesar do pouco fôlego, dei um belo XXXXXX para o cinegrafista e fotógrafas no meio do mato, enquanto tentava ouvir do Marco quantos quilômetros deveríamos marcar no odômetro para a saída do próximo PC.

Continuamos pedalando por um maravilhoso trecho, que, apesar de plano, era muito técnico e cheio de galhos, pedras e cipós pelo caminho.

Muitas equipes passaram direto do ponto e tiveram que rodar alguns quilômetros a mais até o PC4. Outras saíram da trilha antes e pedalaram pela praia, o que era proibido até aquele PC. Nós, com uma dica do Mó, da Senta Pua – também alunos da Selva – caímos na boca do PC, onde estava o Thiago da organização com a barraca montada para a noite que estaria por vir. Num vara-bromélias com os amigos da Los Locos, chegamos à praia, após a minha primeira queda do dia, sentada nas bromélias. Pedalamos como uns loucos – sem trocadilhos com a equipe que estávamos tentando nos distanciar – e chegamos rapidamente ao PC5, de onde vinham várias equipes perdidas à procura do PC4.

Largamos as bikes e saímos de trekking pela praia. Momento bom para um lanchinho, água e mais socação. Na saída da praia, um oi rápido para o Jesus da Ratos de Trilha, que passou na nossa frente no PC6. Lá, com o Sol já querendo se pôr, a Camis abusada aproveitou para se reabastecer com a água dos rapazes do PC, que provavelmente estavam curtindo a vista mais linda da prova: um Sol avermelhado no horizonte, querendo ser encoberto pela densa mata da Ilha Comprida e por aquele riozão, de onde se refletiam os últimos raios daquele dia. Show!!!

Depois da rápida anestesia daquela vista, entramos na trilha fechada, que beirava o rio. Tínhamos que ser rápidos e tentar aproveitar os últimos minutos de luz do dia. Mais um oi para a Uirapuru, que havia decidido voltar e fazer um trecho maior, porém mais rápido, para quem agüentasse correr, por trilha aberta. Como nosso físico (o meu basicamente) era inferior ao deles, optamos pelo mais difícil, mas recuperador vara-mato. Centenas de bromélias, umas sobre as outras, fechavam completamente o caminho e já nos últimos minutos de luz, continuamos em frente aos gritos de ais e uis e ainda transpondo mangues e pequenos rios.

Num deles, para não lotar o pé ainda mais de lama, o Marco resolve ir por cima de um tronco, que serviria de ponte. A Camis foi na seqüência e eu logo em seguida. Como a minha habilidade circense é próxima a de um troglodita andando em corda bamba, precisei me jogar para que pudesse me segurar a um galho um pouco distante e assim evitar um tombo certo que eu havia previsto. Com o coração na boca e agarrada ao galho, consegui chegar ao outro lado do rio sem novos arranhões.

Logo caímos na estradinha de areia, felizes da vida pela navegação perfeita. Trotando sempre que possível, entramos em outra trilha até o PC7, da Satie, mais uma dos braços direitos do Lucas, onde descobrimos que estávamos em 10º lugar. Continuamos no trote, revezando em terreno de areia, lama e pequenos rios, alguns também com troncos servindo de ponte. Desta vez, após algumas dicas da Camila, pensei já estar mais adestrada. Rs

De volta às dunas, dei um berro de ACORDAAAA!!! para o Thiago, que já estava no quentinho da barraca, prontamente instalada entre as dunas.

De novo, mas sem as bikes e sem sentar nas bromélias desta vez, chegamos à praia, cujo caminho idêntico ao do fim da tarde nos levaria de volta às bicicletas. Tentamos revezar trote com caminhadas intensas, porém comecei a sentir o joelho, que já pedia uma trégua. O Toga deu um belo sorriso quando ouviu do Marco, pela primeira vez, que ele estava cansado. “Lili, nunca ouvi o Marcão falar que está cansado. Parece um milagre! Rsrsrs”. Um tempo depois, chegamos às bicicletas, onde os Los Locos se aqueciam na fogueira, pois não tinham encontrado o PC7 e acabaram seguindo direto para as bikes.

Para alívio das nossas pernas, pedalamos num bom ritmo, tomando cuidado para não derraparmos nos trechos de areia fofa. Cruzamos com o pessoal da K3/Selva, que estava no trekking também à procura do PC7. A Camila ainda tentou um diálogo, que logo foi cortado por mim num “Camis, pedala, depois você conversa”. Ela berrou: “Não me deixam conversarrrrr…”.

Chegamos novamente à Satie, onde a Cris, esposa do Alexandre Machado, da Quasar Lontra Máster, perguntou se tínhamos cruzado com eles. Respondemos rapidamente que não e voltamos pela mesma trilha que tínhamos passado correndo anteriormente. Cruzamos algumas equipes de trekking pelo caminho, que bondosamente nos deixavam passar. Até mesmo a Seiva, apesar do ciúme da Camila, que já correu com eles, estar com a gente, também abriu caminho para nós e ainda nos desejou boa sorte. Em um dos rios, que antes tínhamos passado por cima do tronco, entramos com tudo na água na pressa e com as bikes nas costas. Parece redundante, mas é claro que eu tinha que escorregar e cair sentada no tronco.

Já acostumada à minha falta de habilidade, continuamos pedalando quando dava e empurrando a bike quando apareciam alguns buracos. Tentamos ir mais rápido nesse trecho, em busca do nosso objetivo dali em diante: buscar a Senta Pua, a última equipe de alunos Selva na nossa frente. No último encontro com a Satie, sabíamos que eles estavam a 12 minutos e tentamos tirar a diferença.

Deu certo, encontramos com eles, que gentilmente abriram caminho para nós no novo single bike. Minuto depois, em mais uma parada obrigatória para transpor um buraco, eu comecei a conversar com o Marco e esqueci que estava de firma-pé e não de sapatilha. Resultado: um tombo espetacular, barranco abaixo, na mata, grudada na bicicleta e de ponta-cabeça. O Toga deu um mega salto da bicicleta e conseguiu me segurar, para que eu não terminasse de descer rolando o barranco cheio de mato, onde eu rapidamente já tinha me agarrado. No susto, todo mundo deu um berro, que até deve ter terminado de acordar os bichinhos da floresta, desacostumados a tanta movimentação noturna.

Recomposta em cima da bike, continuei pedalando, mas a dificuldade da trilha e depois um novo trecho de areia fofa não permitiu que nos distanciássemos dos nossos amigos. Embora tenhamos chegado juntos na caixa de abastecimento, eles saíram na nossa frente, pedalando rumo ao último trecho da prova.

Depois de um pedal na praia, saímos à procura de um cemitério, ponto certo para encontrar o PC dos ducks. Enquanto conversávamos com o Pio, também da Chauás, aproveitamos para colocar agasalhos e comer antes de entrarmos no rio, que já começava a ter neblina.

Escolhemos dois ducks, que o Pio garantiu estarem reformados, e entramos na água gelada do início da madrugada. No caminho, cruzamos novamente com a Senta Pua, mas uma demora na decisão da navegação acabou nos deixando um pouco pra trás. No meio do trecho da canoagem, passamos pelo PC que se aquecia numa fogueira em cima de uma pedra e entramos num canal extremamente estreito. Para nossa sorte, a maré estava enchendo e duplas, solo e as equipes que estavam na nossa frente já tinham tirado um pouco da vegetação que encobria aqueles 700 metros de vara-mato com duck em mangue. A garantia do Pio sobre os ducks foi comprovada naquela hora. Muitos galhos cheios de pontas cortantes realmente testaram a capacidade da embarcação agüentar os perrengues das corridas de aventura.

Fizemos muita força nesse trecho, que parecia interminável. Além do esforço necessário, há meses eu não pegava num remo. Estava totalmente despreparada para aqueles aparentemente infinitos 20 quilômetros de remo. Cheguei a dizer para a equipe que não agüentava mais. Pouco tempo depois, vimos um light stick aceso, quando esbocei um princípio de sorriso, que foi logo cancelado quando o Toga disse que era uma equipe. Embora ele tenha dito isso provavelmente na esperança de eu me animar e tentar ultrapassar a equipe, eu, de mal-humor, falei: “Não quero saber mais de nenhuma equipe, eu quero a chegada”. Ainda bem que eles estão acostumados comigo e nem me deram bola.

Minutos depois, fizemos uma curva e avistamos as luzes que iluminavam as ruas de Pedrinhas. Nem acreditei!

Remamos o trecho final, enquanto nos perguntávamos se teríamos que carregar os ducks até a chegada. Bom, para mim que já estava cogitando nadar para não ter que remar mais, carregar o caiaque não seria a pior das opções. Mas, para nossa alegria máxima, os barcos eram deixados na beira do rio.

Seguimos a pé rumo à chegada, tremendo de frio, mas felizes da vida pela bela prova. Nossos amigos da Senta Pua, que chegaram 10 minutos na nossa frente, já estavam se aquecendo e comendo a sopa servida pelos moradores daquela receptiva vila de Pedrinhas.

No justo resultado, nossa equipe de professores, Selva NSK Kailash, levou a melhor, com a primeira colocação, Senta Pua em 7º, Guaranis em 9º e Pedro Viana, na solo, em terceiro lugar. A Uirapuru precisou abandonar a prova depois de quebrar o Fiúza, um Goiabada Power convidado para esta etapa. Ainda entre os alunos-amigos, E-lama e André Fernandes correram na categoria duplas.

Foram 80 kms de uma prova bonita, numa competição saudável entre amigos e o melhor: tudo isso numa Chauás!!!

3 comentários até agora

3 Respostas para “Abelhas e muita adrenalina na Expedição Chauás”

  1. Alex / RSA

    Galera essa foi minha terceira prova de aventura, fiquie amarradão em conquistar um sétimo lugar na dupla masculina!! Ainda mais por se tratar de uma Chauás!! Parabéns a vocês dos quartetos que finalizaram a prova naquela remada insana!!
    Foi uma prova dura, mas num lugar alucinante!!
    Abraço até o próximo!!

    08 jul 2008 - 16:28

  2. Si, Má e Yoyo

    Parabéns Guaranis, muito sangue e suor numa prova que deve ter sido espetacular !

    Beijos

    Si, Má e Yoyo

    15 jul 2008 - 13:45

  3. camis

    huhuhuhuhuh
    é noisssssssssssssssssssssssssss
    adoro abelhassss uuuuuuuuuiiiii

    06 ago 2008 - 20:26

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