O espírito Guaranis

Postado por em 20 dez 2008 | Chauás

 

Cara rema junto com Daniel na primeira seção de canoagem

Carla rema junto com Daniel na primeira seção de canoagem

 

Depois da quarta baixa feminina na equipe, Carla Castro topou correr com a Guaranis na Chauás Juréia. A equipe infelizmente não completou a prova, mas a união e superação prevaleceram. Esse é o espírito da Equipe Guaranis.

Abaixo, um pouco da experiência dessa novata nas corridas de aventura, que supreendeu com sua garra e determinação:

Guaranis e agregados,

Gostaria de compartilhar com vocês um pouquinho da minha experiência com a Chauás.

O que eu acho é que somos um bando de malucos que preferem ficar perdidos na mata num sábado à noite do que assistir a um filme, sair com amigos para um bar, dormir, namorar, dançar, coisas sensatas… Maluco gosta de fazer coisas insanas, fora da curva do normal, porque normal ninguém ali no meio daquele mato era. Como disse o Daniel durante o trekking: Aposto que é um cara num jet ski (ouvimos o barulho de motor no mar) com uma mulher gostosa e eu aqui sofrendo no meio deste mato. Pois é Dani, cada um faz o que gosta, free will.

Gostaria de dizer que mesmo não completando a prova eu me sinto realizada. Porque aprendi muito. Superei vários medos. E inclusive aprendi a lidar com a frustação de não completar a prova e perceber que isto não era o mais importante, e sim tudo o que vivemos juntos nesta aventura. Tomar a decisão de desistir não foi fácil, os meninos persistiram muito até concluir que era hora de abandonar a prova. Pra mim a corrida começou na sexta feira, quando saí correndo do trabalho para ir pra casa arrumar tudo, pegar o Dani e viajar para Peruíbe. Foi nesta agitação toda que enfiei o carro na traseira de uma carreta na Bandeirantes, olhei desiludida para o carro batido, e já passava pela minha cabeça que a prova já era… mas quando contei para o pessoal, arrumaram várias caronas para que eu conseguisse chegar até Peruíbe naquele dia. Valeu demais Lilian e André, vocês foram uns amores, obrigada.

Foi só depois de chegar ao aconchego do lar no domingo, que analisei os vários medos que tinha enfrentado e vencido. Eu larguei com medo de não ter êxito, medo de não conseguir chegar, e fui aumentando a lista durante o percurso, medo da fome, medo da sede, medo do frio, medo da noite, medo da chuva, medo do fracasso, medo do medo… e foi só depois de me entregar ao momento que teria de ser vivido, que superei os medos e continuei prosseguindo, mas agora sem medo. E me sinto muito mais forte de quando eu comecei tudo isto. Com maior confiança em mim mesma. E penso que talvez seja confiança que tenha faltado na hora de achar o maldito PC8, talvez a minha desconfiança tenha afetado a fé que os meninos tinham em sua navegação. Talvez se a Lilian (o quinto elemento do grupo) estivesse lá teria dado um jeito nesta situação com harmonia… Mas como temos que encarar a vida para frente, aprendendo com o passado, e a Chauás é uma prova para ser amada ou odiada (ditado pronunciado por todos), digo que aprendi a amar a Chauás, e espero novos convites da Guaranis, enquanto agradeço muito a oportunidade de ter participado de uma Chauás com vocês. E que venha a próxima…
 

Obrigada por todo o carinho e atenção.

Beijos,

Carla

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