Relato Guepardo na Chauás
Mais uma vez a Equipe Guaranis abre espaço para os amigos contarem suas histórias e perrengues nas corridas de aventura. Desta vez, Christian Guariglia, da Equipe Guepardo, fala da vitória na Chauás Light, Santo Antonio do Pinhal, realizada no dia 09 de maio.
Parabéns Equipe!!!

Christian, Carina e Arthur na premiação - foto: Christian Corrêa
Equipe Guepardo: 1º lugar na Chauás 45 km – dupla mista e geral
por Christian Guariglia
A 3ª etapa em Santo Antônio do Pinhal começou na sexta-feira de manhã, quando recebi um telefonema da Maryta (equipe Mandabala Girls, de Santos) com quem eu correria nesta etapa.
Ela havia tido um leve estiramento na coxa. No começo achei que era brincadeira, pois ela é uma palhaça – no bom sentido. Mas quando ela falou que, se eu não achasse outra pessoa, ela correria assim mesmo, comecei a ficar preocupado.
Liguei para algumas pessoas e, por fim, para a Carina. Perguntei a ela: “A que horas eu te pego na rodoviária do Jabaquara?” Rsrsrsrs
Ela não entendeu nada, mas quando expliquei o ocorrido com a Maryta, ela me falou que não tinha com quem deixar o filho. Falei para ela levá-lo junto com uma amiga, para que ela cuidasse dele durante a prova. O problema estava resolvido.
Começava assim a maratona. Saí de São Paulo, bairro do Morumbi, às 18h30, peguei a Carina na Praia Grande às 21h e chegamos à Santo Antônio do Pinhal às 01h30. Quase 400 km rodados, fomos dormir às 02h30, bem cansados.
Acordamos às 06h, fomos para a praça, que ainda estava vazia, e resolvemos levar as bikes no AT 1, que ficava no Pico Agudo. Que bela subida de treking nos esperava.
Quando retornamos para a cidade, fomos atrás do Fran pegar os mapas e depois prepará-los, enquanto tomávamos café da manhã. Foi aquela correria.
Quando chegamos à praça, faltavam 10 minutos para a largada. Ufa!!!! Conseguimos chegar no horário.
Contagem regressiva do Lucas e largamos. Tentei largar num ritmo bom, mas sem desespero e concentrado no mapa. No começo não havia grandes problemas de navegação. Fomos correndo ao lado das equipes Ogros, Lebreiros (Fred e filha – desculpa, pois esqueci o nome dela, mas que com 16 anos, manda super bem), entre outras. Quando avistei a equipe Carranca (líderes do ranking e que havia ganhado as duas etapas iniciais) da Débora e do André, tentamos acompanhar de perto. Foi quando começaram a aparecer diversas bifurcações. E de repente várias equipes descendo à direita, o pico agudo estava a nossa esquerda. Parei, tracei o azimute e resolvi ir contra o fluxo, para a esquerda. Algumas equipes também vieram conosco.
Mais 400 metros adiante e lá estava o PC 2. Estávamos certos na navegação e, como várias equipes concorrentes haviam errado, começamos a acelerar para abrir uma diferença. Entramos na estradinha de uma fazenda, que acabava numa trilha de vacas.
Daí para frente tinha que navegar para chegar ao pico. Achamos a trilha para o cume facilmente e chegamos ao PC 3 em 12º entre todas as categorias (solo 65 km, duplas 65 km e duplas 45 km).
Agora era só descer até a cidade. Falei para a Carina ter cuidado, pois a descida era muito perigosa. Enquanto descíamos, encontramos dois atletas caídos, sendo socorridos pela equipe médica. Quando chegamos à cidade, a amiga dela e o filho Artur nos esperavam no cruzamento. Falaram que estávamos em 1º, pois ainda não sabíamos. Ela parou para dar um beijo e rapidamente prosseguimos.
Para chegar ao PC 4 parei, conferi o mapa para não errar a entrada e pegamos a estrada certa mais uma vez. Subidas fortes e depois só descidas até o PC 4 e depois o PC 5. Colocamos as Bikes no AT 2, tiramos as sapatilhas e calçamos os tênis. Pegamos o duck e descemos até o rio. (Lucas e Fran, estou procurando até agora o rio para remar. Rsrsrsrsrs)
Quando saímos do empurra duck de 2,5 km, um fotógrafo nos falou que havia uma equipe muito perto. Corremos de volta para a bike, alucinados. A sensação de estar liderando a prova é fantástica, mas vc não sabe, se quem vem atrás está a 1 minuto ou 30 minutos.
Pegamos a bike e pedalamos para a chegada. Pedalávamos e olhávamos para trás. Enquanto isso, muitas equipes ainda estavam indo “remar”. Quando cruzei com o Claudio Margini e a Claudia, da equipe Slowmotion (com quem sempre viajo para as provas da Chauás), eles perguntaram se estávamos em 1º. Falamos que sim, mas que vinha a equipe Carranca muito perto e “babando atrás da gente. Eles nos deram muita força nesse momento. (Valeu, pois foi muito importante naquela altura da corrida)
Passamos a 1ª subida muito forte e quando chegou a 2ª subida olhei para a Carina e disse: ”Agora só falta mais essa subida e depois é só descermos para a chegada” . (Valeu Carina pela grande ajuda nessa perna de bike!!!)
Quando começamos a descer, encontramos o Lucas na entrada da cidade com duas motos da polícia militar. Ele falou pra os policiais: “São eles que estão liderando a prova”. Os policiais ligaram as motos e as sirenes e foram nos escoltando pela cidade até a chegada.
FOI DE ARREPIAR!!!!
Durante esse último km até a chegada, passou um filme na minha cabeça. Desde a 1ª prova em agosto de 2006 e os vários ”perrengues” que enfrentei nas corridas de aventura até o dia de hoje.
Foi uma vitória na raça e na persistência de conseguir alguém para correr esta etapa.
Agradeço a Carina, pela companhia e ajuda durante a prova, à Maryta e ao Fernando, que ficaram torcendo muito em Santos, ao Claudio Margini e Claudia pela força, aos meus professores Marcinho, Caco, João. Leonardo Barbosa, ao Renato, Irma e Felipe, pelos treinamentos.
À minha esposa Daniela e minha filha Giovanna, por agüentarem os meus treinos e provas, e principalmente minha mãe (falecida em julho/2007), pela força nos momentos difíceis.
Valeu Lucas e Fran pela maravilhosa prova!!!
Abraços, Christian Guariglia.
parabéns…é de arrepiar…
logo estarei estreando na prova..!!
abraçooo
09 nov 2009 - 16:32