Nike SP-RJ: terceiro dia

Postado por em 26 out 2009 | Sem categoria

Mesmo tomando novamente soro na noite anterior, não melhorei. O enjôo havia passado, mas não a dor de barriga. Embora estava decidida a correr e talvez repetir a cena do dia anterior, o capitão “recomendou” que eu não corresse. Pensando racionalmente, eu sabia que ele estava certo, afinal além de provavelmente correr num tempo alto, eu ainda poderia dar mais trabalho tendo que solicitar ajuda médica de novo e deslocar o carro para me buscar. Apesar de ter ficado ainda mais chateada, eu sabia que essa era a melhor decisão. Eu só teria um trecho para correr nesse dia, assumido pela Gabi, que já tinha outro previsto.

Dormi no carro da largada até mais ou menos a terceira transição. Meu jantar, no maravilhoso Hotel do Frade, tinha sido três colheres de macarrão sem molho e uma mini-porção de frutas, que caíram como pregos no meu estômago. Apesar do farto café da manhã, eu apenas tinha tomado um copo de suco e comido um mini pãozinho. Continuava fraca e sem fome.

Ao longo do dia escaldante de Sol, procurei tentar ajudar mais nas transições. Como não correria, precisava ajudar a equipe. As mulheres terminaram seus trechos cansadas e com algumas dores, devido aos percursos duros e com muito Sol. A Gabi, pra variar, tinha ficado com mais uma bela subida, compensadora, pois foi no final dela que ela soube do título de Rainha da Montanha.

Ao longo do dia também vi cenas terríveis de atletas desmaiando nas transições, outros que chegavam tortos e até um que parecia com princípio de convulsão. Apesar de costearmos boa parte do litoral, já perto do Rio de Janeiro, um caldeirão de calor se misturava ao cheiro do asfalto recém-aplicado. Na nossa equipe, passamos a jogar água no atleta que chegava e a abastecer a moto com água gelada em todas as transições. Numa delas tive que sair gritando atrás do motoqueiro que quase saiu sem trocar a água. Era um trecho complicado, já próximo da chegada, pois os atletas tinham que correr por onde dava, na calçada ou na rua ao lado dos carros apressados.

Visivelmente sofrendo com o calor e subidas, Dunga, Luis, Rafael, Michael, Furusho e De Paula se revezaram nos trechos finais. O Brandão acabou não correndo, precisando se poupar para o último dia. Ele era o corredor número 7 (sétimo tempo de corrida entre os 12 da equipe) e seu tempo na Nike + 10 seria contado na pontuação final. O último trecho na 600k ficou com o De Paula, recepcionado por nós com uma grande festa na linha de chegada, na Barra. 14ª colocação no fim do dia. Faltava só mais um.

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