Adventurecamp Mogi das Cruzes
>10 minutos para a largada anunciava o locutor, enquanto eu corria atrás do meu anjo-da-guarda bicicleteiro, Djalma, da Ciclocaravelle. Sem mesmo ter certeza de que ele estaria em Mogi das Cruzes, por conta da terceira etapa do Adventurecamp, saí à caça do meu amigo pra tentar arrumar a Beatriz, que ficou toda desconfigurada, depois que os pneus foram trocados. Só para esclarecer, a Beatriz é a minha bike, que costumo chamar de filha e companheira dos muitos perrengues, e os pneus são no sentido literal. Rs
6 minutos para a largada escutei quando encontrei o Djalma, que me pede uma chave de bike e lógico que eu não tinha. Chave emprestada pelo Michael, no bom “vai e volta voando”, finalmente a pobrezinha estava pronta para a prova de 50km, dos quais 30km seriam de pedal. Ainda tremendo de nervoso, agradeci com um super abraço e alinhei já na contagem regressiva para a largada dos teens. Ufa!
Equipe Enigma a postos, Gustavo, Ricardinho, Leo e eu pedalamos direto para o PC1, sem passar pelo rapel, que podia ser realizado em três momentos da prova. Algumas subidinhas para aquecer o que não deu tempo de fazer antes da largada, chegamos relativamente rápidos ao duto, onde havia algumas coordenadas para registrar. Como eu não havia participado do briefing, o jeito era seguir a equipe sem perguntar muito. O Ricardinho como sempre revezando entre navegar e me ajudar no giro.
O trecho que passava pelas plantações de eucaliptos dificultaram não só a navegação como a progressão, já que optamos pela trilha cheia de obstáculos de madeira cortada ao invés da rápida, lisa e tranquila estrada. Ao lado da equipe Go Hard, atravessamos o caminho com as bikes nas costas, tentando não torcer os pés nos troncos e armadilhas que fechavam a trilha. Um tombinho básico dali, outro daqui, consegui passar.
Em pouco tempo, aliás, um bom tempo depois, deixamos as magrelas, assinei a planilha sem querer olhar a classificação, já que meu autógrafo praticamente encerrava a folha de registros. Partimos para o trekking em ritmo alucinante, bem do jeito que os três malucos da equipe gostam. No plano, Gustavo e Ricardinho revezavam na navegação e no carrega Lilian e nas subidas cada um ia no seu ritmo, porém sempre forte e todos juntos.
Mais uma assinatura quase virando a folha, quando o Leo perguntou a colocação. Respondi que não vi, pois sabia que ele não ia gostar da resposta. Acho que assinamos em 38 – havia 42 equipes. Tínhamos errado uma trilha e acabamos dando uma volta de 360 graus.
“Nós já passamos por aqui”, avisei.
Ouvi: “Não! Será?!?”
eu: “Lógico. Olha esse tronco no meio do caminho. Já passamos”
Caiu a ficha.
Observa daqui, observa dali. Voltamos um bom pedaço, encontrando equipes indo e vindo a todo momento.
Logo depois e infelizmente, mais um erro de estratégia. Tentamos uma trilha que caía na estrada, onde poderíamos novamente impor um ritmo forte. Corremos feito loucos e alucinados até a trilha single já dentro do parque, mas, para nossa tristeza, acabamos encontrando equipes que havíamos deixado na trilha e que estavam em ritmo bem abaixo do nosso.
Na nova trilha, acabamos empacados no trânsito de gente até o primeiro trecho de remo. Enquanto o Ricardinho e o Leo entravam na água, abasteci a caramanhola de água e cedi uns goles para a Carla, da equipe Ogros, nossa concorrente direta da categoria. Dois na água e dois correndo até metade da canoagem. De novo, corremos igual malucos, e de novo, sem necessidade. Nossa dupla demorou um século para chegar. Conta uma, duas, três, dezenas de equipes saindo da água, crianças da Light inclusive e nada dos dois chegarem. Conversa dali, conversa daqui e nada. Nossa, como o tempo demora passar quando temos que esperar.
Ufa! Finalmente chegaram. Trocamos as posições, com o Gustavo e eu na água e os meninos numa trilha, que depois soube ser bem complicada. Nossa canoagem também foi, com muito push duck em corredeiras em que ficamos presos. Numa delas até fomos ajudados por um staff da organização e em outra o duck amassou a ponto de ficarmos presos. Ah! Detalhe, o Gustavo estava com uma costela quebrada e um joelho detonado, empurrando o duck e tentando andar no rio. Foi um sufoco, mas conseguimos.
Saímos da água praticamente ao mesmo tempo em que os meninos chegaram do duro trekking, a partir de onde a embarcação deveria ser carregada por quase 2km de trilha. O revezamento e teste de força começou com o Ricardo, que logo passou para o Leo, quando ele começou a reclamar do ritmo lento. De volta ao passo de tartaruga, foi a vez do Gustavo bancar o fortão. Não deu três passo com o barco no ombro e literalmente caiu de dor. Lá foram os outros dois revezar novamente, enquanto eu só carregava os remos.
Demos ótimas risadas até o PC de checagem de equipamentos, com parada obrigatória de cinco minutos. Aproveitamos para fazer um piquenique, quando fomos autorizados a voltar para a prova. Novamente uma corrida contra-relógio.
De volta às bikes, Ricardinho e Leo já se equiparam para o rapel que estava por vir. Sequer olhamos a colocação e partimos pela estrada. O Ricardinho me ajudava mais uma vez na bike, enquanto o Leo choramingava lá atrás: “Ninguém me ajuda! Só eu que não sou ajudado!!”. Rsrsrs
Foi muito engraçado. O Gustavo até voltou para ajudá-lo, mas orgulhoso, ele recusou.
Passamos algumas equipes no percurso e outra tentou nos passar no rapel, mas como a dupla de descida não havia chegado, fomos priorizados.
Rapel feito, missão cumprida. Só faltava cruzar o pórtico.
Alinhamos e cruzamos a linha de chegada, mais uma vez juntos. Bom D+!
No fim, ficamos em 15o na geral e em segundo na categoria. Mais um troféu e ótimas lembranças.


