Terra de Gigantes com gigantes

Postado por em 30 ago 2010 | Sem categoria

Equipe Guaranis: Marco, Fábio, Toga e Lilian

Acabando agosto e a Guaranis indo para a primeira prova do ano em quarteto, a Terra de Gigantes, e ainda estreando o Carcaça nas provas noturnas. Ops! Carcaça não, Fábio, pois chamá-lo de Carcaça dizem que é bullying. Na sexta-feira Marco, Toga, Car… Fábio e eu estávamos extremamente empolgados, tanto que ficamos papeando por horas no busão que a Selva Aventura alugou para facilitar o transporte de alunos e amigos na viagem de São Paulo para Angra dos Reis.
Na véspera da prova, já no Iate Clube, base da competição de 90km para os quartetos e de 50km para duplas e solo, a animação era total. Apesar do cansaço da viagem, organizamos as coisas da prova com tranquilidade e sempre dando boas risadas. Até fizemos uma aposta numa corridinha a lá “o último que chegar é mulher do padre”. Quem via, devia nos chamar de malucos, é claro.
Com tudo pronto, foi dada a largada por volta das 22h, com tochas iluminando a praia e os rostos cheios de ansiedade dos atletas que partiam e dos que ficavam para as outras modalidades do dia seguinte. Para nossa prova, nos dividimos em duplas, com o Marco e o Fábio na canoagem e eu e o Toga na natação/canyoning num rio lodoso. Na transição, enquanto esperávamos nossa dupla, aproveitamos para limpar os pés cheios de terra e tirar fotos com os amigos que também aguardavam.
Equipe reunida, corremos até o pé do morro, onde deveríamos mudar da altitude de quase zero para 400 metros, e isso em apenas 1,5km. Sobe, sobe, sobe, abrindo trilha pra uma galera. Vara mato insano, com milhões de cipós e espinhos gigantescos. Vai ver que era isso que dava o nome da prova. Ou ficávamos presos no emaranhado de cipó ou gritávamos com a dor insuportável daquelas agulhas disfarçadas.
Depois de muito tempo e de escaparmos de alguns abismos, finalmente conseguimos chegar ao topo do morro, mas cadê que achamos as torres de alta tensão que nos levariam ao túnel/PC virtual? Vai para um lado, navega e nada. Vai para outro e nada. Isso tudo com um monte de equipe juntas, inclusive a galera animada da Tribus. Uma hora eles até sentaram para esperar a decisão que nossos navegadores iriam tomar. Enquanto o Marco e o Toga batiam trilha, nós e a Tribus esperavámos comendo e tirando mais fotinhos.
Um século depois, finalmente achamos as torres, mas e o tal túnel? Nada! Mais um pouco de vai pra lá e vai pra cá, varamos mais um matinho e enfim achamos o túnel/PC. Aproveitei para fotografar o número, só para garantir que não esqueceríamos na hora de falar no PC seguinte, que por sinal só veríamos horas mais tarde.
Já na antiga estrada de ferro de Angra dos Reis tentamos correr o tempo todo, tentando não tropeçar nas barras de ferro do caminho e muito menos cair em alguns dos vãos entre os dormentes das velhas e inúmeras pontes. Pra variar, minhas pernas tremiam e o coração acelerava toda vez que precisávamos atravessar alguma ponte. Nem mesmo as cachoeiras gigantes – hummm, mais um motivo para nomear a prova? – desviavam minha atenção do pavor de passar pelos lisos dormentes.
O trecho parecia interminável, quando finalmente passamos pela cerca que indicava a proximidade da trilha e que deveria nos levar até o próximo PC. Embolados com inúmeras equipes, na maioria dos amigos Selva, perdemos um tempo para achar a trilha e outro tempão para decidir continuar. Apesar do azimute não bater, todas as equipes desceram uma trilha cujo grau não tinha nada a ver com a indicação da carta. Nós, acostumados a seguir a ferro e fogo os mapas, ainda tentamos achar outra trilha que pudesse parecer com o que procurávamos, mas nada. Nos rendemos e descemos a trilha.
Corremos no asfalto até chegar ao PC de entrada para o canyoning. Planilha assinada e PC Virtual dito, começamos a saltitar pelas pedras do extenso trecho de rio. Algumas fitas zebradas pelo caminho indicavam sinal de perigo, coisas como uma cachoeira de 50 metros ou corredeiras fortíssimas. Impossível sentir sono neste trecho. Apesar de passarmos algumas equipes, nosso foco era correr contra o corte, previsto para às 6h da manhã.
Chegamos antes das 6h10 na transição para as bikes, rezando para alguma alteração no cronograma ou até para o relógio do PC estar errado. “Estamos cortados?”, o Marco perguntou, ouvindo em resposta: “Só se vocês quiserem.” Ufa, ufa, Ufa!!!
Transição feita, com as baterias e empolgação recarregadas, partimos para o trecho com cerca de 30km e muitos PCs para encontrar. Com o Carcaça, ops, o Fá, me ajudando na bike, rapidamente chegamos ao PC seguinte, onde ele e o Marco foram buscar mais dois virtuais, enquanto o Toga e eu atravessávamos as bikes para o outro lado do rio. Dividimos uma Coca com nossos amigos da Enigma e rapidamente nossa dupla estava de volta.
De volta às bikes, eu estava congelando, pois acabara de atravessar o rio com a bike nas costas e de sapatilha. Com toda minha habilidade, lógico que dei alguns mergulhos e isso por volta das 7h da matina. Pedalamos num ritmo bom, com alguns quilômetros a mais do que necessário, porém suficiente para eu aquecer. Uma breve discussão com o PC9, que estava há 400 metros da saída na rodovia e não a pouco mais de 1km como indicava o mapa, acabamos errando a entrada seguinte. Percebido o erro, voltamos para a prova e para as subidinhas mais duras de toda a bike. Mas como tudo que sobe, tem que descer, acabamos curtindo e descansando nas descidas que vieram a seguir. Descansando, mas não parando, pois estávamos novamente correndo contra um corte.
Para às 10h estava previsto o segundo corte da prova, no PC11, onde começaria a canoagem. Apesar de alguma folga, do percurso quase todo plano e da tranquilidade dos meninos, eu estava tensa. Queria muito fazer aquela canoagem. Todos tínhamos treinado para isso. Enfim, com uns 30 minutos de folga, conseguimos. Estávamos na transição para o remo e com uma bela recepção e injeção de ânimo do Maurinho (On The Rocks), da Manu (Xpress Girls) e da Cris (Selva).
Mais uma Coquinha para refrescar, nova carga nas baterias e bora remar!!! Reminho tranquilo no lindo rio, rodeado a princípio pela Mata Atlântica e depois por um manguezal imenso até sermos entregues ao mar. O gigante (mais um) das águas estava tranquilo, com poucas ondas, o Sol a pino, céu azulzinho e no horizonte várias das ilhas que tanto dão fama de paraíso a Angra dos Reis. Entre elas, o nosso destino, a ilha de Itanhangá, que já servira de muitas hospedagens para mim e para o Marco anos atrás quando mergulhávamos.
Conhecíamos o paraíso, mas em época de sedentarismo nunca tinha me animado a subir no topo daquela pedra majestosa. Com o Toga esgotado e a segunda dupla buscando mais um PC virtual, subi para o rapel logo depois da PC me informar quer seria impossível errar o caminho. É ÓBVIO que, em se tratando de Lilian, eu errei! Já no topo, avistei uma trilha e entrei, pensando ser difícil chegar ao PC pela pedra aberta. Alguns minutos e muitos gritos para o PC depois, finalmente consegui voltar para a pedra e acessar a entrada do vertical. Ufa mais uma vez!
Tomei uma bronquinha básica do PC por estar com uma cadeirinha muito larga e dei outra por ele não ter respondido ao meu desespero no meio do mato. Amigos de novo, ele me clipou à corda, mais uma bronca por eu estar de sapatilhas de bike e ele ainda tirou umas fotinhos básicas antes da minha despedida. Lá fui eu, descer o paredão, dividindo a atenção com a segurança e o visual incrível. Tive que fazer alguma força para puxar a corda, que estava extremamente pesada e, portanto, não me deixava descer rápido.
No final do rapel, que dava no mar, o Toga já se preparava para posicionar meu barco abaixo de mim. Mira perfeita. Reunimos os quatro para a segunda metade da longa canoagem, desta vez, rumo à chegada. Nos 8km de canoagem final pegamos o mar um pouco batido, com algumas ondas dificultando nossa progressão e a manutenção da direção. O Carcaça – ah, passamos por tantos perrengues juntos, que deixa pra lá essa história de bulling – começou a enjoar com o mar batido, tadinho. O Marco deu um remédio pra ele e logo melhorou.
Já avistávamos os balões do patrocinador da organização no horizonte, quando resolvemos adiantar a comemoração. Brincamos, rimos, relembramos alguns perrengues da prova e agradecemos.

Agradecemos a companhia, o trabalho em equipe e, principalmente, o alto-astral;

Curtimos muito as dificuldades da prova; o formato expedicionário que tanto amamos; e o visual, inclusive na versão noturna;

E aprendemos, ou melhor reaprendemos, que somos apenas minúsculos seres que se completam para fazer parte desta gigante mãe natureza.

Valeu equipe!!!

16 comentários até agora

16 Respostas para “Terra de Gigantes com gigantes”

  1. Marlos

    Valeu Guaranis!
    É impolgante a riqueza de detalhes, com que vc se expressa!
    A prova com certeza foi maravilhosa e quem treina serio merece estas oportunidades!
    Parabéns!

    30 ago 2010 - 18:55

  2. Cris

    Guaranis,
    Parabens pela prova. Belo relato, Lilian. Quem sabe ano que vem eu faço uma prova noturna …ainda nao tenho coragem!
    Bom descanso e boa recuperação pos prova.
    Sel- va !!!!

    30 ago 2010 - 19:43

  3. Sensacional. Minha equipe preferida depois da Kawabanga hehehehe …. se não fosse tartaruga seria índio !!!

    Parabens por não desistirem. Na minha vidinha de corredor desisti apenas uma vez e me arrependo até hoje e fazem 4 anos em um Chauas, minha primeira prova inclusive. De la para cá no corte ou não, vamos até o final. O prazer de correr com os amigos e vivenciar estas situações é impagavel.

    Admiro vcs.

    Grande abraço para o Topete Man, Bone Bag e Toga Sam e beijoca para a Pocahontas.

    30 ago 2010 - 20:02

  4. Edu "Kawabanga"

    Guaranis!!! Vocês são show!!!

    Parabéns pela excelente prova e pelo relato emocionante da Pocahontas da Aventura a prova foi muito legal. Pena não termos podido ir.

    As tartarugas adorariam correr com vocês.

    Abraços.

    30 ago 2010 - 21:28

  5. Fala galera Guaranis!!!!! Que relato lindo! Obrigada pela energia e astral de vcs. São essas coisas que nos dão força e vontade de não parar nunca! Parabénssss pelo resultado e principalmente por completarem a prova! Nos vemos em 2011!! Grande abraço e bons treinos…

    30 ago 2010 - 21:41

  6. elaine

    SHOWWWWW LI! Adorei! Só falta enviar as fotos….. Parabéns a equipe!!!! bjão

    30 ago 2010 - 22:00

  7. djalma

    Parabéns equipe Guaranis, pelo ótimo resultado numa prova difícil e com várias equipes fortes.
    Quando vi vocês no ônibus senti que o bicho ia pegar, que estavam voando baixo e com um entrosamento perfeito.
    Do nome aos integrantes, vocês são 10.
    Parabéns

    30 ago 2010 - 23:58

  8. Fabio Tavares

    Cambada de pernas mole, parabéns. Pena que não estava presenta para acompanhar os amigos e comemorar a vitória, é sempre bom estar com vocês. Mas se estivesse lá não seria essa moleza toda não, o bicho ia pegar … hahahahah.

    Obs.: Porque o carcaça remou de capacete??? Na foto todos da Guaranis estão sem o equipamento, menos ele!!! hehehheehhe

    Abcs

    Tavares … Ops, Baiano!

    31 ago 2010 - 8:04

  9. Fabiana

    Parabéns pela prova equipe Guaranis, sensacional o relato Li……um beijo a todos
    Fabi ” Mandabala Girls”

    31 ago 2010 - 9:34

  10. Ricardo Antonio

    Faaaala Guaranis!!!!

    Parabéns por mais essa grande prova!!!!

    Grande abraços.

    31 ago 2010 - 9:55

  11. Glauco

    Aêêê
    Que saudades dessa turma!

    31 ago 2010 - 10:12

  12. Zé Alfaia

    Parabéns guerreiros gigantes.
    Lendo seu relato, quase chorei de tristeza por ter perdido a continuação da prova. Estava me sentindo muito bem e com muita vontade de ir até o fim. Por ter feito toda a parte noturna, fiquei satisfeito com a experiência, e pronto para enfrentar mais noturnas.
    Infelizmente problemas de saúde tem que ser respeitados.
    Vamos para a próxima !!!
    Abraços,

    31 ago 2010 - 11:56

  13. Camis

    Parabéns minha equipe do coração !!! Que prova legal!!! Saudadesssssssss

    31 ago 2010 - 16:29

  14. ANDRESSAO

    Aê Perna Moles / Guaranis! (Já mudei o nome da equipe)

    Parabéns por mais essa!!
    Lilian, pela perfeição do seu relato, e pela minha saudade de uma corrida, vc não imagina a vontade que eu fiquei de estar ali…
    Esses gigantes da natureza, sejam eles em forma de água, espinhos, montanhas, rios, são os que, em nossas mentes, despertam a vontade de repetir a dose logo depois dos perrengues mais duros. Que eles estejam sempre presentes!
    ANDRE STEFANINI
    PS: para quem ainda não atualizou, por favor mudem meu e-mail para andrerst@gmail.com

    03 set 2010 - 21:05

  15. Jean Finkler

    Daí Guaranis!?
    Depois das turbulencias de voltar pra casa e encontrar os pequenos tupis por aqui, embalá-los no colo, contar estórias das trilhas, dos gigantes…
    Agora é a vez de ecrever para os amigos e agradecer a companhia. Muito obrigado pelo relato Lilian, é sempre bom recordar os lugares – aquelas montanhas e vales à noite, e aquele mar cheio de ilhas, espetacular – as modalidades, a prova toda, e a companhia desta equipe Guaranis sempre com disposição, sorridentes, e prontos para tudo.
    Valeu, parabéns!

    08 set 2010 - 16:52

  16. Thasmine

    PARABÉNS!!!!!!!

    Só lendo já imaginei tudo isso!! Imagina lá mesmo!
    Acho que cada aventura é inesplicável né!!

    Bjs e gostaria de rever vcs novamente!

    E parabéns!!

    09 set 2010 - 13:34

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