Um leiga e divertida navegação

Postado por em 19 Mar 2012 | Sem categoria

Dia de prova de navegação, na primeira etapa do Campeonato Paulista de Orientação, o domingo foi repleto de risadas em São Lourenço da Serra, no interior de São Paulo. Ótima oportunidade para treinar navegação, encontrar os amigos e se divertir em família.
Com as largadas em horários individuais, o maridão e eu chegamos no local da prova por volta das 9h30, já que eu largaria às 10h14 e ele às 11h20 (precisão na ordem de partida, mesmo com o atraso na largada da prova). Com nossa chegada tardia, óbvio que perdemos o briefing, ou seja lá como é chamado entre os corredores de orientação. Portanto, as únicas observações sobre a prova que acabamos sabendo foi que era obrigatório usar calças (regras militares, melhor não comentar) e que deveríamos seguir a ordem crescente dos pontos de passagem obrigatória.


“Mas Caco, antes não podíamos fazer na ordem que quiséssemos?”, pergunto na minha longa experiência de uma única e antiga prova.

Caco: – Nunca pôde. O que acontecia era que, como os prismas eram registrados por grampeadores, a organização não tinha controle sobre a sequência seguida pelos atletas. Agora tudo é controlado eletronicamente.

Hummmm, bom saber!!!

Enquanto aguardo o alarme da minha hora, dei uma passada na tabela de simbologia da prova:

Muita coisa. Deixa pra lá. Como boa ariana, resolvi decorar só que interessa: + (uma cruz = área de primeiros socorros)

Também decidi que usaria meus conhecimentos de navegação de corridas de aventura:

Azul = água
Verde = mato
N = Norte

Pronto!

Vamos à prova:

“Caco, por vafor, me oriente na retirada do mapa” (cada pessoa só pega o mapa depois que tocar a campanhia do horário determinado para a largada dela).

Caco – Você só pode acessar a área do mapa após o sinal e só poderá pegar o mapa depois que o staff autorizar.

Eu – E depois disso, faço o que?

Caco – Você segue em direção ao prisma lá na frente, que é o ponto oficial da largada. No mapa, esse ponto está representado por um triângulo.

Acostumada com as largadas desenfreadas das corridas de aventura, acabei trotando até o prisma/largada e nada de encontrar o tal triângulo no mapa.

“Moço, você pode me ajudar? Não estou enxergando o triângulo no mapa”, perguntei para um senhor uniformizado de algum clube de orientação.

“Está aqui”, prontamente me respondeu, pensando no mínimo que com certeza a equipe de resgate seria acionada naquele dia.

“A doida não encontra a largada, imagine o resto”, ele deve ter pensado.


Vira o mapa pra lá e pra cá, tento encontrar o Norte e caminho, sem saber direito o que estava procurando. Andei alguns metros e achei um prisma entre bambus. Lembrei de mais um conhecimento adquirido no passado: o PC (prisma, no caso) tem um número, que precisa ser o equivalente ao prisma que procura.

Check de número? OK

E agora?

“Wladdddddd (Togumi), socorro!!! Não sei o que tenho que fazer agora e nem para que lado ir”, desabafei enquanto meu querido amigo fotógrafo se divertia com minha total inabilidade de navegação.

Consegui orientar o mapa. Mais um Norte alinhado.
Hummm, PC2 está atrás de um verdinho intenso. Olho para frente e vejo uma parede de Mata Atlântica pouco convidativa.

Penso rápido numa alternativa e saio correndo pela estrada para contornar o morro. Subo o dito cujo por trás da mata, vejo umas casas e duas caixas d’água.

Dei uma volta no vara-pasto, contornei as caixas e nada.

“Falei água??? Preciso achar algo azul no mapa e me orientar”.

“Bolinha azul. Deve ser isto. Vixi, não serve, o PC está longe da bolinha azul”.

Atravesso uma plantação baixa, que no mapa era amarelinha. Desço para próximo de algo que parecia um depósito de equipamentos e caio literalmente em cima do meu PC2.

“Uhuuuu!! Estou esquentando na navegação!!!”

PC3 – No mapa estava perto de um copo (posto de hidratação, certeza). Varo um matinho eeeee bingo!

PC4 – Corro, entro numa rua. Devo encontrar uma trilha ou, na sequência um descampado. Vejo duas garotas tentado escalar um morro e desistem. “Tenho que conseguir”, pensei já me jogando barranco acima.
Trilhinha gostosa, um pequeno bananal e nada de PC. Água/Azul de novo. “O PC tem que estar antes da linha d’água”. Mais uma bolinha azul para salvar meu dia.

Acompanho um casal numa escalaminhada, mas acabo escorregando na tentativa de escalar a lama e navegar.
“AIIII!!! Espinhos!!!!”
O casal tenta me ajudar, agradeço e sigo.

PC5 – No meio do nada. Sigo no single track até perceber que estava demorando para chegar. Paro e ouço alguém comentar sobre o meu alvo e percebo que já tinha passado. Volto, a essa altura já esbaforida e querendo jogar fora óculos, viseira e garrafa d’água que estavam me atrapalhando.

PC6 – No fim da cerca.
“Mas cadê a cerca??”
Primeiro e único azimute da prova, varo um mato e dou na cerca que procurava (mais um símbolo decorado). Olho um pouco mais para cima e vejo alguns atletas e um ponto laranja. Me empolgo, subo rápido e… Não era um prisma.
“Moço, achei que seu boné fosse um prisma”, desabafo. E talvez tentando minimizar minha decepção, ele pergunta qual prisma procurava, respondo e ele diz: “está logo aí na frente”.

“Ok, obrigada”.

PC7 e 8 – Muito fáceis, mas a competitividade aumenta. Decidi que todos rabos de cavalo seriam potenciais adversárias.

“Se a navegação é lastimável, preciso correr”.

Desço voando até o PC10 e assusto quando vejo que no lugar do chip havia um grampeador.

“Grampeador?? Mas não foram abolidos?” (Se tivesse assistido o briefing saberia que foi uma medida de segurança).

“E agora?”

“Moço (outro), onde devo grampear?” (na época da pedra os atletas recebiam uma planilha exclusiva para ser grampeada)

Provavelmente pensando algo como “O que essa figura está fazendo aqui?”, ele responde: – No mapa.

Eu – Mas em qualquer lugar?

Ele – Qualquer (talvez já pensando em me ignorar)

PC10 = PC3 – Opa, esse já conheço.

PC11 – Uma navegação rápida, numa tentativa de despistar alguns rabos de cavalo. Alguns, menos um. Medooooo.

PC12 – Perto do azul. Moleza, já que estávamos em um pesqueiro.

PC13 – Perto de outro azul. Na trave!!! Quase chipei um PC errado.
Contorno uma cerca e enquanto saltava uma vala escuto: “Olha papai, um bezerro!!”.
“Caracas, deve ter sido a primeira vez na vida que o moleque via um bezerro” penso enquanto cogitava atravessar nadando um pequeno braço do lago. “Calma, pensa, avalia”, digo para mim mesma enquanto minha potencial concorrente colava mais uma vez.
Reavaliei o azul do mapa e confirmei: “Não preciso nadar. Ufa!!”.

PC14 – Corro na tentativa de despistar, acho o PC, volto para trilha.

PC15 – Avisto o prisma próximo à roda d’água e simplesmente me atiro na água, tentando acessar rapidamente o prisma (óbvio que se tivesse contornado pela trilha teria chegado mais rápido, mas…), afundo até os joelhos na lama, subo, afundo de novo, subo, afundo de novo e finalmente chipo. UFA!!!

Saio da água, volto para a trilha, dois rapazes da organização me dão algumas palavras de incentivo, pego o lado errado da trilha, volto, subo e acho o PC16.

PC17 – O último! Com alguns atletas saindo do 16, pergunto se o 17 seria a chegada ou era mais um PC? Desta vez, totalmente ignorada.
“Ok, ok! Vou procurar”.
Mas havia dois meios círculos no mapa, onde deveria estar o PC e justamente bem no meio de toda a confusão do pesqueiro.
“Ferrou!!! O que será que isso significa?”, pensei.

Olho no galinheiro e nada.
Dentro do trenzinho de cimento do playground. Nada!
Entre as mesas externas do restaurante. Nada!
Na piscina quadrada. Nada!
Na piscina redonda. Nada!

“Não é possível!!!!” falo em voz no exato momento em que finalmente enxergo o dito.
Na adrenalina, simplesmente ignorei o fato de que o prisma deveria estar perto da fita zebrada e que me levaria à chegada.

Alegria!!!

Voei para a chegada, um milésimo de segundo antes da simpática menina.

UFA!!! Cansei!!! Navegação lastimável, mas extremamente divertida.

Ok, ok, confesso. Toda essa insana brincadeira aconteceu em básicos 43 minutos e modestos 2,3 km (isso mesmo, DOIS QUILÔMETROS e TREZENTOS METROS) de prova. 😉

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